quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cientistas questionam ‘cura’ de HIV no paciente de Berlin, Timothy Brown, informa Veja.com

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A única suposta cura de um paciente com HIV anunciada até hoje está sendo questionada por virologistas diante de uma possível recorrência da infecção, informou a Veja.com, ao divulgar relatório publicado em um blog da revista Science.

O americano Timothy Brown foi submetido a um transplante de medula, em 2006, para tratar uma leucemia. O doador, por sua vez, tinha uma incomum mutação genética naturalmente resistente ao HIV. Depois de receber a medula o vírus pareceu ser erradicado do corpo de Brown.

Entretanto, durante congresso científico internacional celebrado na Espanha em 8 de junho, o virologista Steven Yukl, da Universidade da Califórnia em San Francisco, disse que novos exames foram feitos no paciente e mostraram "sinais de HIV” o cientista destacou não poder dizer "com certeza neste momento se houve uma erradicação total do HIV".


Leia a reportagem na íntegra:

Cientistas questionam cura do soropositivo "paciente de Berlim"

Gerard Julien

A anunciada cura, única até agora, do norte-americano Timothy Brown, infectado com o vírus HIV e conhecido como o "paciente de Berlim", gera controvérsia entre virologistas diante da uma possível recorrência da infecção, segundo relatório publicado em um blog da revista Science.

Os cientistas divergem sobre os últimos dados a respeito de Brown apresentados em uma conferência na Espanha na semana passada, destacou um informe postado no blog ScienceInsider.

Em 2006, Brown, um americano soropositivo que na época era residente em Berlim há dez anos, foi submetido a um transplante de medula para tratar uma leucemia que tinha se manifestado três anos antes.

A medula veio de um doador com uma incomum mutação genética naturalmente resistente ao HIV. Uma em cada 100 pessoas caucasianas tem esta mutação que impede que a molécula CCR5 apareça na superfície da célula.

O sofisticado procedimento realizado na Alemanha pareceu erradicar o vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV) do corpo de Brown, o que levou seus médicos a declararem, em artigo na revista científica "Blood", em 2010, que haviam conseguido a "cura do HIV".

Mas, durante congresso científico internacional celebrado na Espanha em 8 de junho, o virologista Steven Yukl, da Universidade da Califórnia em San Francisco, disse que novos exames feitos no paciente mostraram "sinais de HIV", acrescentando desconhecer se estes foram "reais ou (ocorreram) por contaminação" da amostra.

Portanto, o cientista destacou não poder dizer "com certeza neste momento se houve uma erradicação total do HIV", segundo o informe do ScienceInsider.

Alguns cientistas interpretaram, no entanto, que Yukl disse que a cura do HIV não tinha sido alcançada e que Brown poderia, inclusive, ter se reinfectado com o vírus da aids.

O renomado especialista em Aids Alain Lafeuillade, do Hospital Geral em Toulon, França, tirou suas próprias conclusões sobre a pesquisa de Yukl, afirmando que os resultados indicavam a presença de HIV no sangue de Brown.

"O chamado "paciente de Berlim" ainda tem vestígios detectáveis do vírus da Aids em seu corpo", escreveu em um comunicado. "E a gente se pergunta se Brown foi reinfectado e poderia infectar outras pessoas", disse o virologista francês.

Yukl e outros cientistas que fizeram o estudo apresentado na Espanha questionaram duramente a interpretação de Lafeuillade.

"Nós não dissemos que o HIV ainda está presente no sangue (de Brown) ou que não estivesse curado", insistiu Yukl. "o propósito da apresentação foi trazer a questão de como definir uma cura da infecção e, neste nível de detecção do vírus, como se pode saber se o sinal é real?", disse.

Com exames específicos do sangue, do plasma e do tecido retal de Brown, Yukl e seus colegas conseguiram detectar fragmentos de DNA do vírus.

Embora Yukl acredite que estes fragmentos sejam uma clara evidência da presença do HIV, Douglas Richman, da Universidade da Califórnia em San Diego, outro pesquisador do grupo, disse não ter encontrado nada suspeito, sugerindo que seus colegas na verdade encontraram contaminantes.

"Se estes exames forem repetidos vezes suficientes, podem ser encontrados, inclusive, sinais da presença de elefantes cor de rosa na água", brincou.

Segundo o blog ScienceInsider, outro laboratório também encontrou anticorpos de HIV no corpo de Brown, mas os níveis foram baixos e descendentes.

O virologista Tae-Wook Chun, do Instituto Americano de Alergias e Doenças Infecciosas, outro pesquisador que trabalhou com Yukl, destacou que sua equipe não tinha isolado vírus nenhum da aids capaz de se replicar. O especialista especulou que Brown poderia ser simplesmente portador de fragmentos genéticos defeituosos e inofensivos do vírus.

Fonte: Revista Veja


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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Brasil renova suspensão de patente de remédio contra Aids até 2017

Brasília, 7 mai (EFE).- O Governo brasileiro renovou nesta segunda-feira até 2017 a suspensão da patente do remédio antiaids efavirenz, que pertence ao laboratório americano Merck, informaram fontes oficiais.

O decreto que renova a suspensão do patente, retirada no país há cinco anos, foi assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado hoje no Diário Oficial. A ratificação da medida alega razões de "interesse público".

O efavirenz faz parte de uma mistura de remédios usada contra a Aids, que é distribuída de forma gratuita pelo Governo a partir dos programas contra a doença.

A suspensão da patente foi anunciada pelo Brasil em 2007 em meio a uma disputa de preços. Os valores exigidos pelo laboratório americano eram considerados excessivos pelo Governo e a produção nacional de efavirenz pelo laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reduzia para menos da metade o preço cobrado pelo Merck.

A suspensão da patente e fabricação do remédio no Brasil foi adotada dentro dos limites estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo dados oficiais, o efavirenz é usado no país por 103 mil pacientes e a produção da Fiocruz é suficiente para atender essa demanda.

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/05/07/brasil-renova-suspensao-de-patente-de-remedio-contra-aids-ate-2017.jhtm

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sábado, 28 de abril de 2012

Estudo avalia início precoce da terapia contra o vírus HIV

DÉBORA MISMETTI EDITORA-ASSISTENTE DE "CIÊNCIA+SAÚDE" Um estudo envolvendo 35 países e 226 centros de saúde está avaliando os resultados do início precoce para o tratamento contra o HIV. Diferentemente do que se possa imaginar, o paciente nem sempre começa a tomar os antirretrovirais logo após o diagnóstico. A avaliação é feita caso a caso mas, segundo diretrizes do Ministério da Saúde, a terapia para pessoas sem sintomas começa só quando a contagem das células de defesa CD4 cai abaixo de 350 por mm3 de sangue. Há exceções, como gestantes, pacientes com hepatite B ou C, com mais de 55 anos ou com carga viral alta, entre outras condições que pedem tratamento com 500 ou menos células por mm3. A pesquisa "Start", que no Brasil é coordenada pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), está recrutando soropositivos com contagem de células de defesa acima de 500/mm3. Eles são divididos em dois grupos: um fará o tratamento segundo as diretrizes atuais e o outro já receberá os remédios. Segundo o infectologista Luiz Carlos Pereira Junior, do Emílio Ribas, o instituto já acompanha 96 pessoas e está recrutando participantes. A dúvida sobre iniciar ou não o tratamento tem a ver com os efeitos colaterais causados pelos antirretrovirais. Quando o tratamento com essas drogas começou, diz o médico, a tendência era o início imediato. Depois, quando se observou que os remédios causavam muitos efeitos colaterais, como alterações metabólicas, alta no colesterol, entre outros, os médicos colocaram o pé no freio. "Foram sendo colocados limites. Primeiro, começávamos quando a contagem de CD4 caía a menos de 200 por mm3. Depois, isso foi para 350 e, nos últimos anos, têm surgido evidências de benefício para um início mais cedo." O infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcellos, lembra que pesquisas recentes mostraram que os antivirais reduzem em 90% o risco de transmissão do HIV. "A tendência hoje é tratar independentemente da contagem CD4." Fonte: folha.uol.com.br http://www.grupoamigoscuritiba.blogspot.com.br/

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Fantástico - A descoberta da AIDS (1983)

ONGs denunciam desmonte do programa brasileiro de Aids

MANIFESTO
SOS: Governo Dilma coloca controle social da Aids em risco de extinção
Estamos vivendo uma situação sem precedentes de desmantelamento do controle social da resposta à epidemia de HIV-Aids no Brasil. O sucesso da política brasileira sempre esteve pautado num trabalho conjunto entre Estado e sociedade civil organizada, que não apenas cobrava ações efetivas das autoridades – como foco nos direitos humanos – mas também era protagonista no desenho e implementação das políticas. Que não se enganem os céticos em relação ao papel e importância desses grupos: certamente a crise das associações que trabalham com o HIV e mesmo os grupos de pessoas vivendo com o HIV é a crise da resposta brasileira à epidemia.
Recentemente, importantes organizações dedicadas ao tema do HIV-Aids fecharam suas portas depois de anos de serviço público relevante. A ameaça do fechamento também paira sobre outras organizações históricas que enfrentam crises severas de recursos, mas que não nomearemos aqui em respeito às próprias organizações, que devem decidir o momento e a forma de tornar pública suas situações. Algumas, tais como o Grupo SOMOS (Rio Grande do Sul), o  GAPA de Minas Gerais e o GAPA de São Paulo já comunicaram publicamente a suspensão de atividades.
Embora a atual crise não seja a primeira enfrentada por organizações desse tipo, certo é que essa é diferente, na medida em que é mais severa e mais invisível. Podemos dizer que parte da origem desta crise reflete um recuo financeiro da cooperação internacional que tem sido o modelo base do financiamento das ONGs neste campo no país. A origem deste recuo tem por base dois fatores fundamentais – a crise financeira internacional dos países desenvolvidos e a nova projeção do Brasil no cenário internacional, que coloca o país nopapel de doador de recursos e não mais receptor – causando uma falsa percepção de queos problemas internos estão resolvidos.
Vale dizer que esse recuo não afeta apenas as ONGs que atuam no campo do HIV-Aids, e sim boa parte das ONGs brasileiras que dependiam desse modelo de cooperação internacional para prestar um valioso papel na defesa do interesse público e na luta por políticas públicas que universalizem direitos e cidadania no país.
Apesar de terem sido fundamentais para a realização de eventos históricos como a Cúpula dos Povos durante a ECO 92 e o Fórum Social Mundial, além de terem conquistado o direito de participar de diversas negociações internacionais, entre outros feitos, as ONGs brasileiras estão cada vez mais reduzindo suas equipes e frentes de atuação por falta de recursos. Isso significa que as muitas contribuições e conquistas realizadas em anos de luta estão sendo retribuídas com silêncio e abandono, ao invés de um debate público que proponha alternativas reais para a sobrevivência dessas organizações.
Recentemente, dados evidenciam o aumento da ajuda internacional do governo brasileiro, incluindo ações humanitárias e contribuições ao sistema ONU, equivalentes a US$ 1,4 bilhão nos últimos cinco anos. Não obstante a importância das doações brasileiras a países e populações mais vulneráveis, é inaceitável que organizações locais fechem as portas e deixem de atender aos brasileiros e brasileiras e, sobretudo, estejam impedidas de monitorar, cobrar, construir em colaboração e fiscalizar a execução de políticas em saúde com recursos públicos. A quem interessa essa debilidade da sociedade civil organizada?
O aumento do PIB brasileiro, que passa até mesmo o do Reino Unido, como sinônimo de desenvolvimento é uma premissa simplista e conveniente. Excluem-se da equação a renda per cápita, as fortes desigualdades internas, as situações de extrema exclusão de parte da população e a manutenção de vulnerabilidades sociais – terreno fértil para a concentração da epidemia de AIDS em seu seio. O Brasil que brilha nos salões de Genebra e Nova Iorque certamente não é o mesmo com o qual lutamos todos os dias, com suas incoerências, injustiças e inadequações. Por isso ocupa o 81º lugar no índice de desenvolvimento humano.
Além da crise financeira, a outra face da moeda é a notória crise política. No campo do HIV-Aids podemos dizer que o diálogo da sociedade civil com o Estado vem se deteriorando e chega agora a um momento crítico. O agravamento teve seu ápice nos últimos meses, no que a imprensa tem chamado de “clima anti-ONGs”. Não recuperamos em nossa memória recente um período de tamanho distanciamento entre o Ministério da Saúde e a sociedade civil brasileira.
Concretamente podemos citar o recente episódio de censura da campanha de prevenção para o carnaval de 2012 – orientada a homossexuais – cujo veto partiu unilateralmente do Poder Executivo; a negociação e assinatura de contratos de transferência de tecnologia de medicamentos para HIV com empresas transnacionais farmacêuticas sem transparência e na contra-corrente da histórica posição brasileira de uso das flexibilidades de proteção da saúde pública da Lei e Patentes; os episódios seqüenciais de desabastecimentos de medicamentos antirretrovirais cujas causas não foram adequadamente esclarecidas e a perceptível (e inexplicável) ausência e clara exclusão de organizações da sociedade civil brasileira na Conferência Mundial de Determinantes Sociais de Saúde, organizada pelo Brasil em 2011.
Ademais do esgarçamento das relações da sociedade com o Ministério da Saúde, assistimos perplexos ao visível desmonte do Departamento de DST AIDS. Embora haja uma clara preocupação em desfazer essa impressão, notamos o desligamento do Departamento de um número expressivo de pessoas classicamente envolvidas na luta contra a AIDS no país. As causas são obscuras, e também merecem esclarecimento.
A invisibilidade da crise das ONGs anti-AIDS e a supressão de sua importância encontra lastro na suposta incorporação nas políticas públicas de todas as demandas da sociedade; no argumento de que as ONGs se desvirtuaram e servem hoje apenas de instrumento de desvio de dinheiro público e na aceitação pacífica da crença de que o Brasil está em pleno desenvolvimento. Nesse contexto, a participação da sociedade civil organizada não seria um elemento supérfluo, anacrônico?
Para responder a essa pergunta faz-se necessário recuperar um pouco dos ensinamentos de precursores da inteligência brasileira sobre HIV-Aids e Direitos Humanos. Há mais de vinte anos, a solidariedade foi o elemento que orientou a resposta brasileira à epidemia no país e ela não era apenas vista como um elemento de luta contra preconceitos e estigmas, mas também como um princípio fundamental para a mobilização. Como dizia o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a Aids não é um problema apenas de saúde, restrito àqueles que vivem com HIV e aos profissionais de saúde, mas sim um problema  social que deveria ser enfrentado por diferentes segmentos da sociedade e não somente com ações diretas de saúde, mas também com políticas sociais.
Àquela época, o Brasil se encontrava no processo de redemocratização. Na aprovação da Constituição Cidadã, o direito à saúde foi incorporado e definiu as bases para o sistema público de saúde regido pelos princípios da universalidade, equidade, integralidade e controle social. Tal contexto possibilitou sinergias na luta travada no campo do HIV contra o que Herbert Daniel, outro ícone da luta contra a Aids, chamava de ‘morte civil’.
Nos vinte anos da morte de Herbert Daniel, poderíamos dizer que emerge hoje um novo conceito de “morte civil”. Àquela época significava uma restrição de direitos civis durante a própria vida em função da infecção pelo HIV. Hoje, podemos considerar a ‘morte civil’ como este sufocamento do princípio basilar do SUS: o controle social.
Se antes a ‘morte civil’ acontecia em decorrência da Aids, hoje ela é causadora da Aids, pois sem controle social efetivo, menores são as possibilidades de garantia de direitos para os excluídos, justamente os mais vulneráveis à infecção e para os quais a Aids se torna cada vez mais uma conseqüência da própria condição de exclusão social.
Sabemos do papel histórico dos movimentos sociais na construção da cidadania no Brasil. A preservação dos princípios do SUS é uma luta constante e em permanente construção. A restrição de um de seus princípios, como o controle social, certamente afeta os demais e, por que não dizer, afeta todo o processo democrático.
Como dizia Betinho, não cabe às ONGs brasileiras acabar com ou pretender substituir o Estado, mas colaborar para a sua democratização. Muitas ONGs que trabalham com HIVAids têm feito isso com dedicação há pelo menos trinta anos e não é por outro motivo que o programa de Aids do Brasil é considerado um dos melhores do mundo.
Enquanto essas organizações ajudavam a construir as bases desse programa, eram chamadas de parceiras. Agora, quando tentam colaborar de forma ativa para seu bom funcionamento, são sumariamente ignoradas. Além disso, no momento em que o enfraquecimento dessas organizações é mais latente, o silêncio impera. No entanto, as ONGs-Aids ainda têm muito que dizer, fiscalizar, propor e defender. Nem que seja em mensagens coladas em portas fechadas. Não queremos sentir nostalgia dos dias em que o controle social existia de fato, queremos que as autoridades que agem com descaso frente ao desmantelamento desse princípio sintam vergonha proporcional à ofensa que isso representa à democracia brasileira e à todos que lutaram por ela.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/ongs-denunciam-o-desmonte-do-programa-brasileiro-de-aids.html

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Contaminação da Aids aumenta na América Latina por falta de prevenção

O número de mortos pela Aids na América Latina diminuiu devido ao maior acesso ao tratamento antirretroviral, mas a contaminação continua aumentando pela falta de programas de prevenção, informou nesta quinta-feira o Programa da ONU sobre a Aids (Unaids).
“Para cada pessoa em tratamento temos duas novas infecções. Assim nunca acabaremos com a doença. Claro que é preciso evitar as mortes, mas mais importante ainda é prevenir o contágio”, disse nesta quinta-feira à Agência Efe o diretor regional para a América Latina da Unaids, César Núñez.
Dois terços do investimento para combater a epidemia na América Latina são destinados ao tratamento, e o restante à prevenção. “Além disso, esses programas se dedicam quase que exclusivamente à população mais afetada: homossexuais, prostitutas e usuários de drogas”, indicou Núñez.
Para ele, os programas de prevenção deveriam ser mais amplos e abranger todas as pessoas, principalmente os mais jovens, que parecem ter perdido o medo da Aids. “Segundo a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), 25% dos partos na América Latina são de menores de 17 anos, o que significa que os jovens fazem sexo sem proteção. Embora seja um dado indireto, nos mostra que eles são passíveis de contaminação. É óbvio que falta informação e educação sexual”, explicou.
Estima-se que a cada ano ocorram na região 100 mil novas infecções. O número de pessoas com o vírus do HIV aumentou de 1,3 milhão, em 2001, para 1,5 milhão em 2010. Desse total, 36% são do sexo feminino, um número que aumentou dramaticamente nos últimos dez anos, já que em 2001 para cada dez homens infectados havia uma mulher.
Uma das razões que explicam esse crescimento da contaminação entre as mulheres é que elas são contaminadas por seus maridos ou parceiros que tiveram relações não seguras com prostitutas, ou em muitos casos, com outros homens. O principal foco de transmissão na região são os homens que mantêm relações com outros homens sem proteção. “Na América Latina, o estigma contra os homossexuais permanece. Por isso a prática continua sendo escondida em muitos lugares, e esses homens contaminam suas esposas ou parceiras”", disse Núñez.
O Panamá e a Nicarágua foram os últimos países latino-americanos a abolirem leis homofóbicas, em 2008. “Mas o estigma social continua, por isso é preciso fazer campanhas que combatam a discriminação, o que ajudará na luta contra a doença”, especificou Núñez.
De acordo com os dados disponíveis, entre 3% e 20% dos homens latino-americanos têm relações sexuais com outros homens ao longo de sua vida. Dependendo do país, entre 32% e 78% dos homens que fazem sexo com outros homens também mantêm relações com mulheres, e entre 1,7% e 41% são casados.
Atualmente, 64% da população infectada têm acesso a tratamento, algo que precisa melhorar, já que em muitos casos “chega tarde demais, quando a doença já se desenvolveu”.
Núñez destacou um problema que, apesar de estar melhorando, ainda persiste: a falta de planejamento, que gerou a ausência de remédios em países que inclusive são produtores de genéricos, como o Brasil.

Dados sobre Aids sugerem avanço no controle da doença

O Brasil aparece como um dos grandes destaques no relatório anual do Unaids, o programa das Nações Unidas dedicado ao combate à Aids, apresentando quadro no qual entre 60% e 79% dos infectados com o vírus têm acesso a tratamento. Divulgado na última segunda-feira, o levantamento indica que o governo brasileiro tem investido seus recursos adequadamente nos lugares certos, adotando as estratégias mais corretas. Por isso mesmo, é tido como exemplo a ser seguido por outras nações a iniciativa brasileira voltada ao acompanhamento de pacientes acometidos pela doença.



Ainda de acordo com o Unaids, o Brasil encontra-se na vanguarda em termos de garantia ao acesso à prevenção do HIV e a serviços de tratamento para os mais vulneráveis e marginalizados. Tudo isso, é bom deixar claro, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), tão execrado por quem geralmente não conhece a fundo como se dá o seu funcionamento. Somente em 2008, cita o documento da ONU, foram investidos US$ 600 milhões de na prevenção e tratamento da Aids em nosso País. A situação do Brasil é emblemática, mas as informações trazidas no documento da Unaids sugerem também avanços no que diz respeito ao combate à doença em outras partes do mundo.



Segundo a ONU, os números de novas infecções continuam diminuindo e mais pessoas recebendo tratamento, estimando-se que no ano passado medicamentos salvaram a vida de cerca de 700 mil soropositivos. Diante disso, cada vez mais se aventa a possibilidade de avanços que permitam o controle considerável dos registros de casos. Mesmo com os dados positivos, porém, ainda é grave a situação verificada na África Subsaariana, que continua a ser a região mais afetada pelo HIV. No ano passado cerca de 68% das pessoas infectadas com o vírus viviam nesta região.



É óbvio que é cedo para baixarmos a guarda em relação à doença. Muito ao contrário, devem-se agora, principalmente, serem consolidados os avanços registrados. O mundo caminha célere para boas novas no âmbito do HIV, mas para que isso se concretize, nunca é demais reforçar a prevenção por meio da informação. Se os dados revelados pela ONU nos colocam números positivos, são poucos, enquanto o homem não tiver o controle total dessa enfermidade que tantas famílias já enlutou pelo mundo.

Fonte: O Povo.com

http://www.aidshiv.com.br/dados-sobre-aids-sugerem-avanco-no-controle-da