Duas equipes médicas das universidades francesas de Estrasburgo e de Marselha descobriram uma proteína que impede a replicação do vírus causador da Aids. A novidade foi anunciada nesta quinta-feira (1º) na França.
Como não consegue se reproduzir, esses micro-organismos precisam entrar em células de outros seres vivos para se perpetuarem. Agora, os pesquisadores desvendaram as propriedades da proteína HBPB para inibir a replicação do vírus HIV. Segundo um comunicado dos cientistas, a pesquisa feita in vitro mostra uma opção terapêutica que ainda não havia sido pensada.
Apesar de já ser conhecida, só agora a ciência descobriu o uso da HBPB contra as cepas (tipos) clássicas do vírus e as resistentes ao remédio AZT, a mais famosa das armas terapêuticas para controlar o avanço da Aids.
O próximo passo dos franceses será testar a eficiência da nvoa terapia em modelos in vivo. Apesar da esperança, a produção em grande escala dessa proteína não será possível antes de vários anos de pesquisa - incluindo testes clínicos em voluntários.
Por enquanto, os cientistas comemoram que a técnica não apresentou nenhum efeito colateral. Eles afirmam que os testes em animais e em humanos são muito caros e precisariam custear as novas fases dos estudos.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/09/medicos-franceses-descobrem-proteina-que-evita-replicacao-do-hiv.html
sábado, 10 de setembro de 2011
Cresce incidência de Aids e sífilis entre índios na Amazônia
MANAUS - A colonização da Amazônia por europeus dizimou milhões de indígenas da região, no século XVI, ao trazer doenças desconhecidas pelos nativos. Até uma simples gripe era fatal para este grupo. Atualmente, enfermidades do “homem branco” voltam a assustar os habitantes da Floresta. Índices preocupantes de uma pesquisa do Ministério da Saúde (MS) mostram o crescimento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como sífilis e Aids, em aldeias indígenas.
Mais de 45 mil pessoas que vivem em aldeias remotas ou em localidades de difícil acesso no Amazonas e Roraima passaram por testes médicos. Cerca de 18,59% dos índios avaliados apresentaram resultado positivo para a sífilis apenas na região do Alto Solimões. O número representa um índice elevado da doença, até mesmo comparados à estatística da população geral do país. Também foram estudadas as áreas do Leste de Roraima, Alto Rio Negro, Médio Solimões, Vale do Javari e terras indígenas próximas à Manaus.
Já o vírus HIV, causador da Aids, é encontrado com menor frequência, porém também deixa as autoridades em alerta. Enquanto o índice na população geral do país o número de soropositivos é de 0,6%, entre os povos indígenas os dados chegam a 3,4% em aldeias do Alto Rio Negro. A prevalência da doença em indígenas gestantes também preocupa: 0,08% das futuras mães de todas essas tribos possuem a doença e, sem tratamento adequado, podem transmitir para os bebês.
De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), as DSTs são transmitidas por fatores internos, como o desconhecimento sobre as doenças, abuso de álcool e a viagem de indígenas a centros urbanos; e externos, como a ocupação ilegal de não-indígenas, o trabalho de missões religiosas e a presença das Forças Armadas em áreas remotas.
Outro fator alarmante é a resistência destes povos ao uso de métodos para prevenir as DSTs, além da própria falta de conhecimento destes. O antropólogo Christian Ávila explicou ao Portal Amazônia que, se até mesmo na sociedade moderna há oposição ao uso de preservativos, essa característica é muito maior dentro das aldeias.
- Para algumas etnias é considerado errado. Há também o problema da logística: é dificílimo encontrar ‘camisinhas’ nas aldeias. Estes produtos não chegam lá com tanta frequência - afirmou.
Combate às DSTs
Atualmente, o Ministério da Saúde realiza prevenção diferenciada com povos indígenas. Em nota, a pasta informou que as ações são realizadas respeitando as especificidades de cada cultura.
- A abordagem e o aconselhamento é pensado e trabalhado nas aldeias dentro da peculiaridade de cada etnia. Os resultados obtidos devem ser enfrentados de acordo com a ética da medicina ocidental, mas o modo como cada etnia entende essas doenças também está nos planos de ações.
O tratamento nos casos de diagnóstico de sífilis é realizado na própria aldeia e tem início imediatamente após a confirmação da doença. Os portadores de HIV são removidos para centros do Sistema Único de Saúde (SUS), em municípios próximos das aldeias onde vivem.
http://extra.globo.com/noticias/brasil/cresce-incidencia-de-aids-sifilis-entre-indios-na-amazonia-2568999.html
Mais de 45 mil pessoas que vivem em aldeias remotas ou em localidades de difícil acesso no Amazonas e Roraima passaram por testes médicos. Cerca de 18,59% dos índios avaliados apresentaram resultado positivo para a sífilis apenas na região do Alto Solimões. O número representa um índice elevado da doença, até mesmo comparados à estatística da população geral do país. Também foram estudadas as áreas do Leste de Roraima, Alto Rio Negro, Médio Solimões, Vale do Javari e terras indígenas próximas à Manaus.
Já o vírus HIV, causador da Aids, é encontrado com menor frequência, porém também deixa as autoridades em alerta. Enquanto o índice na população geral do país o número de soropositivos é de 0,6%, entre os povos indígenas os dados chegam a 3,4% em aldeias do Alto Rio Negro. A prevalência da doença em indígenas gestantes também preocupa: 0,08% das futuras mães de todas essas tribos possuem a doença e, sem tratamento adequado, podem transmitir para os bebês.
De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), as DSTs são transmitidas por fatores internos, como o desconhecimento sobre as doenças, abuso de álcool e a viagem de indígenas a centros urbanos; e externos, como a ocupação ilegal de não-indígenas, o trabalho de missões religiosas e a presença das Forças Armadas em áreas remotas.
Outro fator alarmante é a resistência destes povos ao uso de métodos para prevenir as DSTs, além da própria falta de conhecimento destes. O antropólogo Christian Ávila explicou ao Portal Amazônia que, se até mesmo na sociedade moderna há oposição ao uso de preservativos, essa característica é muito maior dentro das aldeias.
- Para algumas etnias é considerado errado. Há também o problema da logística: é dificílimo encontrar ‘camisinhas’ nas aldeias. Estes produtos não chegam lá com tanta frequência - afirmou.
Combate às DSTs
Atualmente, o Ministério da Saúde realiza prevenção diferenciada com povos indígenas. Em nota, a pasta informou que as ações são realizadas respeitando as especificidades de cada cultura.
- A abordagem e o aconselhamento é pensado e trabalhado nas aldeias dentro da peculiaridade de cada etnia. Os resultados obtidos devem ser enfrentados de acordo com a ética da medicina ocidental, mas o modo como cada etnia entende essas doenças também está nos planos de ações.
O tratamento nos casos de diagnóstico de sífilis é realizado na própria aldeia e tem início imediatamente após a confirmação da doença. Os portadores de HIV são removidos para centros do Sistema Único de Saúde (SUS), em municípios próximos das aldeias onde vivem.
http://extra.globo.com/noticias/brasil/cresce-incidencia-de-aids-sifilis-entre-indios-na-amazonia-2568999.html
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Novo anticorpo neutraliza 91% das variantes de HIV, mostra estudo
DO "WALL STREET JOURNAL"
Cientistas americanos descobriram três potentes anticorpos contra o vírus HIV. O mais potente conseguiu neutralizar 91% das cepas de HIV, mais do que qualquer anticorpo testado até hoje.
Os pesquisadores também identificaram exatamente qual parte do vírus é atacada pelo anticorpo e como ele ataca o local.
Os anticorpos foram descobertos nas células de um homem afroamericano gay de 60 anos, conhecido na literatura científica como "Doador 45", cujo corpo produz os anticorpos naturalmente. Pesquisadores fizeram uma triagem de cerca de 25 milhões de suas células até encontrar 12 que produzem os anticorpos. Agora, a questão é desenvolver vacinas ou outros métodos para possibilitar que qualquer pessoa possa produzi-los.
Editoria de Arte/Folhapress
O desenvolvimento vai exigir muito trabalho, segundo Gary Nabel, líder da pesquisa, publicada na revista "Science", e diretor do Centro de Pesquisas de Vacinas no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. "Vamos trabalhar nisso por um bom tempo até que obtenhamos benefícios clínicos."
VACINAS
Os resultados de uma primeira vacina contra HIV foram anunciados no ano passado após um teste na Tailândia. Mas a vacina reduziu as chances de infecção em apenas 30% dos casos, e gerou controvérsias porque em uma análise os resultados não foram estatisticamente significantes.
Anticorpos que são pouco eficientes ou que atacam apenas uma ou duas variantes do vírus são comuns. Até o ano passado, poucos anticorpos capazes de neutralizar um grande número de variantes haviam sido descobertos e nenhum deles neutralizava mais de 40% das cepas conhecidas.
Mas recentemente, graças a novos métodos de detecção mais eficientes, meia dúzia de novos anticorpos, incluindo os três novos descritos no artigo da "Science", foram identificados. As novas moléculas são também mais potentes, capazes de neutralizar o vírus em concentrações muito menores que os anteriores.
NIAID-VRC/Divulgação
Estrutura de poderoso novo anticorpo (azul e verde) ligado ao vírus HIV (cinza e vermelho), causador da Aids
Estrutura de poderoso novo anticorpo (azul e verde) ligado ao vírus HIV (cinza e vermelho), causador da Aids
Alguns dos novos anticorpos atacam diferentes regiões do vírus, aumentando a esperança de que eles poderiam operar em sinergia. Em particular, um anticorpo é capaz de atacar uma ponta do vírus essencial para sua ligação às células. Mais importante, essa ponta apresenta baixa taxa de mutação, pois o vírus precisa se ligar a uma molécula específica das células humanas.
Um problema potencial no desenvolvimento de vacinas, porém, é que as células do "Doador 45" levam meses para criar os anticorpos. Isso significa que, uma vez desenvolvida, talvez seja necessário aplicar a vacina mais de uma vez para acelerar o processo de imunização.
COQUETEL DE ANTICORPOS
Os pesquisadores planejam testar os novos anticorpos, provavelmente misturados em um coquetel potente, em três grandes vertentes.
Na primeira, os anticorpos poderiam ser administrados em sua forma pura, como uma droga, para prevenir a transmissão do vírus. No entanto, isso seria caro e teria duração limitada, tornando o método adequado apenas para casos específicos, como prevenção de transmissão de mães para filhos durante o parto.
Outra possibilidade é usar os anticorpos para o desenvolvimento de vacinas tradicionais. Nesse caso, versões enfraquecidas de vírus seriam utilizadas para treinar o sistema imune do receptor a reconhecer o invasor e produzir anticorpos.
Como os novos anticorpos contra o HIV são extremamente específicos, agarrando-se firmemente a determinadas regiões do vírus, os cientistas precisam apresentar ao sistema imune uma réplica exata das partes do vírus que o anticorpo deverá atacar. Isso é difícil de fazer; é complicado, por exemplo, manter a réplica no formato adequado. Mas equipes diferentes de pesquisadores estão tentando resolver esse problema.
Por fim, existe a terapia gênica. O prêmio Nobel David Baltimore está trabalhando nessa vertente, com verbas da Fundação Bill e Melinda Gates. Sua equipe no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena (EUA), juntou genes que codificam anticorpos em um vírus não maligno, que depois é injetado em camundongos. Os vírus então infectam células de camundongos, transformando-as em fábricas que produzem os anticorpos, imunizando a pessoa contra o HIV.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/763986-novo-anticorpo-neutraliza-91-das-variantes-de-hiv-mostra-estudo.shtml
Cientistas americanos descobriram três potentes anticorpos contra o vírus HIV. O mais potente conseguiu neutralizar 91% das cepas de HIV, mais do que qualquer anticorpo testado até hoje.
Os pesquisadores também identificaram exatamente qual parte do vírus é atacada pelo anticorpo e como ele ataca o local.
Os anticorpos foram descobertos nas células de um homem afroamericano gay de 60 anos, conhecido na literatura científica como "Doador 45", cujo corpo produz os anticorpos naturalmente. Pesquisadores fizeram uma triagem de cerca de 25 milhões de suas células até encontrar 12 que produzem os anticorpos. Agora, a questão é desenvolver vacinas ou outros métodos para possibilitar que qualquer pessoa possa produzi-los.
Editoria de Arte/Folhapress
O desenvolvimento vai exigir muito trabalho, segundo Gary Nabel, líder da pesquisa, publicada na revista "Science", e diretor do Centro de Pesquisas de Vacinas no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. "Vamos trabalhar nisso por um bom tempo até que obtenhamos benefícios clínicos."
VACINAS
Os resultados de uma primeira vacina contra HIV foram anunciados no ano passado após um teste na Tailândia. Mas a vacina reduziu as chances de infecção em apenas 30% dos casos, e gerou controvérsias porque em uma análise os resultados não foram estatisticamente significantes.
Anticorpos que são pouco eficientes ou que atacam apenas uma ou duas variantes do vírus são comuns. Até o ano passado, poucos anticorpos capazes de neutralizar um grande número de variantes haviam sido descobertos e nenhum deles neutralizava mais de 40% das cepas conhecidas.
Mas recentemente, graças a novos métodos de detecção mais eficientes, meia dúzia de novos anticorpos, incluindo os três novos descritos no artigo da "Science", foram identificados. As novas moléculas são também mais potentes, capazes de neutralizar o vírus em concentrações muito menores que os anteriores.
NIAID-VRC/Divulgação
Estrutura de poderoso novo anticorpo (azul e verde) ligado ao vírus HIV (cinza e vermelho), causador da Aids
Estrutura de poderoso novo anticorpo (azul e verde) ligado ao vírus HIV (cinza e vermelho), causador da Aids
Alguns dos novos anticorpos atacam diferentes regiões do vírus, aumentando a esperança de que eles poderiam operar em sinergia. Em particular, um anticorpo é capaz de atacar uma ponta do vírus essencial para sua ligação às células. Mais importante, essa ponta apresenta baixa taxa de mutação, pois o vírus precisa se ligar a uma molécula específica das células humanas.
Um problema potencial no desenvolvimento de vacinas, porém, é que as células do "Doador 45" levam meses para criar os anticorpos. Isso significa que, uma vez desenvolvida, talvez seja necessário aplicar a vacina mais de uma vez para acelerar o processo de imunização.
COQUETEL DE ANTICORPOS
Os pesquisadores planejam testar os novos anticorpos, provavelmente misturados em um coquetel potente, em três grandes vertentes.
Na primeira, os anticorpos poderiam ser administrados em sua forma pura, como uma droga, para prevenir a transmissão do vírus. No entanto, isso seria caro e teria duração limitada, tornando o método adequado apenas para casos específicos, como prevenção de transmissão de mães para filhos durante o parto.
Outra possibilidade é usar os anticorpos para o desenvolvimento de vacinas tradicionais. Nesse caso, versões enfraquecidas de vírus seriam utilizadas para treinar o sistema imune do receptor a reconhecer o invasor e produzir anticorpos.
Como os novos anticorpos contra o HIV são extremamente específicos, agarrando-se firmemente a determinadas regiões do vírus, os cientistas precisam apresentar ao sistema imune uma réplica exata das partes do vírus que o anticorpo deverá atacar. Isso é difícil de fazer; é complicado, por exemplo, manter a réplica no formato adequado. Mas equipes diferentes de pesquisadores estão tentando resolver esse problema.
Por fim, existe a terapia gênica. O prêmio Nobel David Baltimore está trabalhando nessa vertente, com verbas da Fundação Bill e Melinda Gates. Sua equipe no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena (EUA), juntou genes que codificam anticorpos em um vírus não maligno, que depois é injetado em camundongos. Os vírus então infectam células de camundongos, transformando-as em fábricas que produzem os anticorpos, imunizando a pessoa contra o HIV.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/763986-novo-anticorpo-neutraliza-91-das-variantes-de-hiv-mostra-estudo.shtml
sábado, 30 de julho de 2011
Comprimido diário pode reduzir risco de transmissão do HIV
Drogas são as mesmas usadas para controlar a doença.
Descoberta pode ajudar casais onde apenas um tem o vírus.
As drogas antiAids desenvolvidas para combater o HIV também podem ser utilizadas para reduzir drasticamente o risco de infecção entre os casais heterossexuais, indicaram na quarta-feira dois estudos feitos na África.
Os resultados somam-se à evidência crescente de que o tipo de medicamentos prescritos desde meados dos anos 1990 para tratar pessoas já doentes também pode ser a chave para reduzir ou mesmo interromper a disseminação da doença sexualmente transmissível.
A pesquisa envolvendo casais do Quênia, Uganda e Botsuana descobriu que ministrar drogas antiAids diariamente reduziu as taxas de infecção em ao menos 62%, na comparação com o placebo.
'Novos instrumentos eficazes contra o HIV são urgentemente necessários e esses estudos podem ter um impacto enorme na prevenção da transmissão heterossexual', disse Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em um comunicado.
Numa indicação da importância das últimas evidências, Chan afirmou que a agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) trabalharia agora com países para usar os novos achados a fim de implementar melhores estratégias de proteção.
O maior dos dois estudos examinou 4.758 casais no Quênia e em Uganda, nos quais um dos parceiros era HIV positivo e o outro, negativo. Os parceiros negativos que tomaram o tenofovir, ou Viread, da Gilead Sciences Inc's, registraram uma média de 62% infecções a menos.
Para os casais que tomaram o Truvada - outro medicamento da Gilead combinando o tenofovir e o emtricitabine --, o risco de infecção foi cortado em 73 por cento no ensaio clínico, que foi liderado por pesquisadores da Universidade de Washington.
O estudo foi financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, cujo diretor para HIV e Tuberculose, Stefano Bertozzi, disse que o trabalho marca 'um avanço significativo na busca para desenvolver novas medidas de prevenção ao HIV'.
O segundo estudo, envolvendo pouco mais de 1.200 homens e mulheres sexualmente ativos em Botsuana, descobriu que tomar um Truvada por dia reduziu o risco de infecção pelo HIV em 62,6 por cento.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/07/comprimido-diario-pode-reduzir-risco-de-transmissao-do-hiv.html
Descoberta pode ajudar casais onde apenas um tem o vírus.
As drogas antiAids desenvolvidas para combater o HIV também podem ser utilizadas para reduzir drasticamente o risco de infecção entre os casais heterossexuais, indicaram na quarta-feira dois estudos feitos na África.
Os resultados somam-se à evidência crescente de que o tipo de medicamentos prescritos desde meados dos anos 1990 para tratar pessoas já doentes também pode ser a chave para reduzir ou mesmo interromper a disseminação da doença sexualmente transmissível.
A pesquisa envolvendo casais do Quênia, Uganda e Botsuana descobriu que ministrar drogas antiAids diariamente reduziu as taxas de infecção em ao menos 62%, na comparação com o placebo.
'Novos instrumentos eficazes contra o HIV são urgentemente necessários e esses estudos podem ter um impacto enorme na prevenção da transmissão heterossexual', disse Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em um comunicado.
Numa indicação da importância das últimas evidências, Chan afirmou que a agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) trabalharia agora com países para usar os novos achados a fim de implementar melhores estratégias de proteção.
O maior dos dois estudos examinou 4.758 casais no Quênia e em Uganda, nos quais um dos parceiros era HIV positivo e o outro, negativo. Os parceiros negativos que tomaram o tenofovir, ou Viread, da Gilead Sciences Inc's, registraram uma média de 62% infecções a menos.
Para os casais que tomaram o Truvada - outro medicamento da Gilead combinando o tenofovir e o emtricitabine --, o risco de infecção foi cortado em 73 por cento no ensaio clínico, que foi liderado por pesquisadores da Universidade de Washington.
O estudo foi financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, cujo diretor para HIV e Tuberculose, Stefano Bertozzi, disse que o trabalho marca 'um avanço significativo na busca para desenvolver novas medidas de prevenção ao HIV'.
O segundo estudo, envolvendo pouco mais de 1.200 homens e mulheres sexualmente ativos em Botsuana, descobriu que tomar um Truvada por dia reduziu o risco de infecção pelo HIV em 62,6 por cento.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/07/comprimido-diario-pode-reduzir-risco-de-transmissao-do-hiv.html
Avanços podem permitir vacina de HIV e malária em dez anos, diz revista
Artigo publicado na "Nature" fala sobre os principais desafios na área.
Alta mutação do vírus da Aids ainda impede a criação de dose eficaz.
Luna D'Alama Do G1, em São Paulo
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Progressos clínicos e tecnológicos na área da imunologia indicam que será possível desenvolver vacinas contra Aids e malária nos próximos dez anos, diz artigo publicado na revista "Nature" desta semana. Segundo o pesquisador italiano Rino Rappuolli e o americano Alan Aderem, que assinam o texto, o combate à Aids e à malária ainda é o maior desafio mundial em saúde pública do século 21.
Junto com a tuberculose, essas duas doenças infecciosas matam quase cinco milhões de pessoas por ano no mundo. Apesar de ainda não haver vacinas disponíveis, os cientistas apostam no avanço da computação e na chamada biologia sistêmica, que estuda a interação entre elementos biológicos (como proteínas, genes, RNA e outras moléculas), para chegar cada vez mais perto de uma resposta imune contra esses males.
A aceitação de um indivíduo a uma vacina depende de inúmeras interações de fatores genéticos, moleculares e ambientais. Por isso, segundo o infectologista e imunologista Esper Kallas, da Faculdade de Medicina da USP, a abordagem do futuro para a produção de novas doses deve contemplar "tudo ao mesmo tempo". “Esses sistemas geram quantidades fenomenais de dados em computador, por meio de modelos matemáticos, para encontrar relações e padrões que levem a alguma descoberta”, disse. É o que os norte-americanos chamam de “mineração de dados”, que pode servir para encontrar regras no meio do caos.
Como a quantidade de características imunológicas no conjunto de dados mundial excede a capacidade da mente humana, o objetivo é chegar a modelos precisos e detalhados o suficiente para prever se as novas vacinas terão sucesso. Para o imunologista David Watkins, da Universidade de Wisconsin, nos EUA, que está em São Paulo para conhecer o Instituto Butantan, os resultados de vacinas contra HIV em macacos são encorajadores. “Em um estudo publicado há duas semanas na 'Nature', 50% dos animais foram protegidos do vírus, e agora temos que entender por quê”, afirmou.
No início dos anos 1980, quando o HIV foi descoberto, os cientistas acreditavam que poderiam combater a Aids da mesma forma que a hepatite B: usando fragmentos do vírus em leveduras e depois separando-os do fungo. Esse material “puro”, uma vez inserido no corpo humano, faz uma simulação de infecção natural que leva à imunidade. O problema é que o HIV tem altíssima capacidade de mutação, e em menos de um dia já não é mais o mesmo. Já o micro-organismo causador da malária se modifica, em média, a cada dez anos, e o grande problema nesse caso é que o protozoário Plasmodium dribla os anticorpos.
“Ainda não há um meio de reproduzir um vírus do HIV que seja representante dos demais. E o que dificulta tanto uma vacina contra essas doenças é que os vírus (ou bactéria, no caso da tuberculose) só se multiplicam dentro das células, então ficam protegidos”, explicou Kallas. Os anticorpos, por sua vez, costumam agir do lado de fora, não atingindo os agentes patogênicos.
Os pesquisadores concluem no artigo que ainda há complexos mecanismos imunológicos não completamente compreendidos pela ciência. Mas um modelo inovador de exames clínicos, que testam várias vacinas em paralelo e obtêm informações pela biologia sistêmica, deve acelerar o desenvolvimento de vacinas e aumentar a compreensão do sistema imunológico humano em um futuro próximo.
Aids, malária e tuberculose no mundo
Desde o início da pandemia, a Aids causou mais de 25 milhões de mortes, e hoje há 33 milhões de pessoas vivendo com o HIV. Por ano, são 2,6 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes. Já a malária acomete 225 milhões de pessoas por ano e causa quase 1 milhão de mortes. Além disso, cerca de um terço da população humana está infectada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), com 9,6 milhões de novos casos e 1,7 milhão de mortes por ano. E essa bactéria tem se tornado cada vez mais resistente a antibióticos.
Como um de seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem estimulado os países a controlar e reverter a propagação dessas doenças até 2015. Para atingir a meta, a ONU conta, principalmente, com a expansão de tratamentos, educação e medidas básicas, o que inclui uso depreservativos contra a aids e de mosquiteiros em camas contra a malária.
A vacinação, que geralmente é a intervenção mais eficaz no controle de doenças infecciosas, não foi incluída no plano da ONU, porque as doses não devem estar disponíveis dentro desse prazo.
Especificamente no caso da tuberculose, a vacina BCG – aplicada em recém-nascidos no Brasil e não usada nos EUA, por exemplo – ainda causa controvérsias. Isso porque ela é capaz de prevenir a disseminação da doença e a mortalidade em bebês e crianças, mas não evita a infecção crônica nem protege adultos, idosos e pessoas com deficiência imunológica. “Há algumas ONGs internacionais que trabalham na produção de uma vacina melhor contra a tuberculose”, disse Kallas.
De acordo com ele, os pesquisadores atualmente conhecem a fundo o sistema imune e a interação entre hospedeiros e parasitas, mas o campo da vacinologia ainda tem muito a avançar. “Precisamos de novas ideias, abordagens e fronteiras. Investimentos em vacinas devem ser feitos a longo prazo, a perder de vista, e podem mudar a vida da humanidade. É o que faz a Fundação Bill e Melinda Gates, que se concentra em combater a Aids, a malária e a tuberculose pelo mundo”, destacou o médico.
Dengue
A vacina contra a dengue, segundo o médico, deve ser uma realidade em breve. E a dose será a forma mais eficaz de combater a doença, já que o mosquito Aedes aegypti se urbanizou e ficou praticamente impossível erradicar o problema nas grandes cidades.
O Instituto Butantan atualmente faz uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e a Universidade Johns Hopkins para o desenvolvimento dessa vacina. Testes preliminares em humanos já estão sendo feitos. E a ideia, segundo Kallas, é que a dose contemple os quatro tipos de vírus da dengue e seja aplicada preferencialmente em crianças, que costumam ser o grupo mais suscetível.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/05/avancos-podem-permitir-vacina-de-hiv-e-malaria-em-dez-anos-diz-revista.html
Alta mutação do vírus da Aids ainda impede a criação de dose eficaz.
Luna D'Alama Do G1, em São Paulo
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Progressos clínicos e tecnológicos na área da imunologia indicam que será possível desenvolver vacinas contra Aids e malária nos próximos dez anos, diz artigo publicado na revista "Nature" desta semana. Segundo o pesquisador italiano Rino Rappuolli e o americano Alan Aderem, que assinam o texto, o combate à Aids e à malária ainda é o maior desafio mundial em saúde pública do século 21.
Junto com a tuberculose, essas duas doenças infecciosas matam quase cinco milhões de pessoas por ano no mundo. Apesar de ainda não haver vacinas disponíveis, os cientistas apostam no avanço da computação e na chamada biologia sistêmica, que estuda a interação entre elementos biológicos (como proteínas, genes, RNA e outras moléculas), para chegar cada vez mais perto de uma resposta imune contra esses males.
A aceitação de um indivíduo a uma vacina depende de inúmeras interações de fatores genéticos, moleculares e ambientais. Por isso, segundo o infectologista e imunologista Esper Kallas, da Faculdade de Medicina da USP, a abordagem do futuro para a produção de novas doses deve contemplar "tudo ao mesmo tempo". “Esses sistemas geram quantidades fenomenais de dados em computador, por meio de modelos matemáticos, para encontrar relações e padrões que levem a alguma descoberta”, disse. É o que os norte-americanos chamam de “mineração de dados”, que pode servir para encontrar regras no meio do caos.
Como a quantidade de características imunológicas no conjunto de dados mundial excede a capacidade da mente humana, o objetivo é chegar a modelos precisos e detalhados o suficiente para prever se as novas vacinas terão sucesso. Para o imunologista David Watkins, da Universidade de Wisconsin, nos EUA, que está em São Paulo para conhecer o Instituto Butantan, os resultados de vacinas contra HIV em macacos são encorajadores. “Em um estudo publicado há duas semanas na 'Nature', 50% dos animais foram protegidos do vírus, e agora temos que entender por quê”, afirmou.
No início dos anos 1980, quando o HIV foi descoberto, os cientistas acreditavam que poderiam combater a Aids da mesma forma que a hepatite B: usando fragmentos do vírus em leveduras e depois separando-os do fungo. Esse material “puro”, uma vez inserido no corpo humano, faz uma simulação de infecção natural que leva à imunidade. O problema é que o HIV tem altíssima capacidade de mutação, e em menos de um dia já não é mais o mesmo. Já o micro-organismo causador da malária se modifica, em média, a cada dez anos, e o grande problema nesse caso é que o protozoário Plasmodium dribla os anticorpos.
“Ainda não há um meio de reproduzir um vírus do HIV que seja representante dos demais. E o que dificulta tanto uma vacina contra essas doenças é que os vírus (ou bactéria, no caso da tuberculose) só se multiplicam dentro das células, então ficam protegidos”, explicou Kallas. Os anticorpos, por sua vez, costumam agir do lado de fora, não atingindo os agentes patogênicos.
Os pesquisadores concluem no artigo que ainda há complexos mecanismos imunológicos não completamente compreendidos pela ciência. Mas um modelo inovador de exames clínicos, que testam várias vacinas em paralelo e obtêm informações pela biologia sistêmica, deve acelerar o desenvolvimento de vacinas e aumentar a compreensão do sistema imunológico humano em um futuro próximo.
Aids, malária e tuberculose no mundo
Desde o início da pandemia, a Aids causou mais de 25 milhões de mortes, e hoje há 33 milhões de pessoas vivendo com o HIV. Por ano, são 2,6 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes. Já a malária acomete 225 milhões de pessoas por ano e causa quase 1 milhão de mortes. Além disso, cerca de um terço da população humana está infectada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), com 9,6 milhões de novos casos e 1,7 milhão de mortes por ano. E essa bactéria tem se tornado cada vez mais resistente a antibióticos.
Como um de seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem estimulado os países a controlar e reverter a propagação dessas doenças até 2015. Para atingir a meta, a ONU conta, principalmente, com a expansão de tratamentos, educação e medidas básicas, o que inclui uso depreservativos contra a aids e de mosquiteiros em camas contra a malária.
A vacinação, que geralmente é a intervenção mais eficaz no controle de doenças infecciosas, não foi incluída no plano da ONU, porque as doses não devem estar disponíveis dentro desse prazo.
Especificamente no caso da tuberculose, a vacina BCG – aplicada em recém-nascidos no Brasil e não usada nos EUA, por exemplo – ainda causa controvérsias. Isso porque ela é capaz de prevenir a disseminação da doença e a mortalidade em bebês e crianças, mas não evita a infecção crônica nem protege adultos, idosos e pessoas com deficiência imunológica. “Há algumas ONGs internacionais que trabalham na produção de uma vacina melhor contra a tuberculose”, disse Kallas.
De acordo com ele, os pesquisadores atualmente conhecem a fundo o sistema imune e a interação entre hospedeiros e parasitas, mas o campo da vacinologia ainda tem muito a avançar. “Precisamos de novas ideias, abordagens e fronteiras. Investimentos em vacinas devem ser feitos a longo prazo, a perder de vista, e podem mudar a vida da humanidade. É o que faz a Fundação Bill e Melinda Gates, que se concentra em combater a Aids, a malária e a tuberculose pelo mundo”, destacou o médico.
Dengue
A vacina contra a dengue, segundo o médico, deve ser uma realidade em breve. E a dose será a forma mais eficaz de combater a doença, já que o mosquito Aedes aegypti se urbanizou e ficou praticamente impossível erradicar o problema nas grandes cidades.
O Instituto Butantan atualmente faz uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e a Universidade Johns Hopkins para o desenvolvimento dessa vacina. Testes preliminares em humanos já estão sendo feitos. E a ideia, segundo Kallas, é que a dose contemple os quatro tipos de vírus da dengue e seja aplicada preferencialmente em crianças, que costumam ser o grupo mais suscetível.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/05/avancos-podem-permitir-vacina-de-hiv-e-malaria-em-dez-anos-diz-revista.html
Laura Müller fala sobre sexo no Altas Horas
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1574434-7822-LAURA+MULLER+FALA+SOBRE+SEXO+NO+ALTAS+HORAS,00.html
ONG transforma garrafas plásticas em vassouras A ONG "Gotas de Esperança", de Paranavaí, ajuda no tratamento de pacientes com o vírus HIV. A renda é usada para pagar o tratamento dos pacientes.
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