Casos de Aids entre idosos dobram em dez anos
Maria Luísa¹, 78, conta que pegou o vírus da Aids com seu segundo marido - que se tornou soropositivo, segundo ela, durante um caso com outra mulher. Maciel¹, 68, diz que contraiu a doença durante uma relação sexual desprotegida, segundo o próprio.
Os dois fazem parte de uma população que, segundo dados do Ministério da Saúde, está crescendo rapidamente: a de pessoas com mais de 50 anos diagnosticadas com o vírus HIV. Em 2000, 8,64% dos diagnósticos de HIV foram de pessoas nessa faixa etária; em 2010 (até 30 de junho), a fatia chegou a 17,23%.
Para o médico Jean Carlo Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, localizado em São Paulo, existem várias possibilidades para explicar o aumento da doença entre os novos velhos. Uma delas seria o fato de a doença ser associada à juventude. "As campanhas publicitárias usam personagens jovens, linguajar jovem, o que faz com que esse público se identifique como um grupo de risco, enquanto os mais velhos se sentem menos vulneráveis." Maciel concorda: "Descuidando, a gente acaba se distraindo e não se prevenindo".
Para Eliana Bataggia Gutierrez, diretora da Casa da Aids da USP, outro motivo responsável pelo aumento de novos velhos com Aids é o crescimento dos diagnósticos tardios. "Provavelmente, uma parte dessas pessoas já tinha a doença e não sabia." Ela também cita o sucesso dos coquetéis de remédios como um motivo, fazendo com que os pacientes em tratamento ultrapassem os 50 anos de idade.
Na instituição dirigida por ela, que abriga 210 pacientes (sendo 7% com mais de 60 anos), as pessoas estão em tratamento há 14 anos, em média. "A maior parte dos nossos pacientes começou a se tratar há dez, quinze anos, quando não havia remédios muito bons."
Tanto Maria Luísa quanto Maciel estão em tratamento há mais de dez anos. "Eu comecei o tratamento na mesma semana do diagnóstico e posso dizer que hoje não estou doente", diz ela, sorrindo. Eles contam que as únicas pessoas que sabem de suas condições são os familiares. "Dos meus amigos, 99% não sabem da minha situação, eu a omito. Se eles não perguntam, eu não vou ficar expondo (a doença) sem haver necessidade", conta Maciel.
Para Gorinchteyn, os novos velhos sofrem duplo preconceito: contra a doença e contra a idade. "Existem até casos de abandono de pacientes, mas estes estão vinculados, principalmente, ao tipo de relação familiar que existia antes da doença."
CUIDADOS
Para os médicos, o tratamento de pessoas acima dos 50 anos, requer cuidados maiores do que em outras faixas etárias.
"O tratamento é realizado com três drogas ou mais, combinadas ou não, que geralmente estão associadas a uma série de efeitos colaterais. E o indivíduo pode ter problemas que foram agravados pela idade, pela Aids ou por outras medicações", explica Gutierrez.
Gorinchteyn acrescenta que certas doenças, como pressão alta, problemas de colesterol e diabetes - as chamadas comorbidades - podem ser agravadas pelo tratamento. Por isso, o tratamento deve envolver as drogas que apresentarem os menores riscos para os pacientes.
Outro problema é o tempo entre a contaminação e a detecção da doença -segundo Gorinchteyn, o intervalo médio entre os pacientes em geral varia entre cinco e dez anos. Gutierrez completa dizendo que uma parte significativa dos pacientes só descobre que tem Aids quando tem a primeira doença oportunista.
É o caso do sarcoma de Kaposi (um tipo de tumor que ataca a pele e órgãos como o pulmão), da tuberculose e da pneumonia. "Na Casa da Aids, a taxa [de pacientes que descobrem a Aids através de doenças oportunistas] é superior a um terço dos casos."
Para Maria Luísa, enquanto a tão sonhada cura não é anunciada, o futuro reserva uma tarefa muito simples: viver. "Eu não tenho medo da morte, mas gosto de viver. E acho que vou sentir saudades do meu povo quando me for."
¹Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos pacientes
http://www.jornalfloripa.com.br/geral/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=2065
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Cientistas tentam descobrir origem do vírus da aids na África
A origem do vírus HIV é um mistério no mundo inteiro, mais ainda na África, um continente onde a aids continua matando a maioria da população, principalmente as crianças.
Cientistas do Centro Internacional de Pesquisas Médicas de Franceville (CIRMF, em francês), no Gabão, trabalham diariamente tentando descobrir quando e como surgiu uma das maiores pandemias do continente africano.
"O primeiro contágio em humanos ocorreu nos anos 90, mas é possível que já estivesse presente nos macacos há centenas de anos ou desde sempre", indicou François Rouet, responsável do laboratório de Retrovirologia do CIRMF.
Rouet explicou à agência EFE que uma das teorias sobre como o HIV foi transmitido dos primatas aos humanos é que estes últimos tiveram contato com algum animal que morreu por essa doença. "Por isso, uma de nossas principais tarefas é informar à população suscetível de usar esses animais como alimento dos riscos que existem, e, nesse sentido, os casos de infecção por essa via diminuíram", afirmou.
O biólogo, que trabalhou em países como Burkina Fasso e Quênia, se mostrou especialmente preocupado com os casos nos quais o vírus da aids é detectado em pacientes recém-nascidos.
"No centro fazemos exames em mulheres grávidas que têm o HIV e tentamos salvar a vida de seus filhos com um tratamento prévio, mas na maioria dos casos os bebês morrem pouco tempo depois de nascer", disse Rouet.
Ao todo, 160 pessoas, 45% delas gaboneses, fazem suas pesquisas no campus do CIRMF, que está localizado em uma planície de 47 hectares cercada de floresta.
Além dos estudos sobre a aids, o centro conta com laboratórios onde são analisadas outras doenças virais típicas da região, como o ebola e a malária, e recebe a cada ano uma média de 25 estagiários de medicina por seu interesse nesse tipo de pesquisa.
O CIRMF conta ainda com um centro de primatologia, que abriga atualmente 400 primatas, entre eles cinco gorilas e 56 chimpanzés, além de macacos e mandris, a espécie mais significativa no Gabão.
"Não fazemos experimentos com eles, isso é totalmente proibido no país há muitos anos, mas podemos curá-los se chegarem aqui doentes e tentamos reinseri-los em seu ecossistema", ressaltou Jean-Paul González, diretor-geral e cientista do CIRMF.
O especialista esclareceu que a única pesquisa realizada em macacos é de caráter antropológico, para observar seu comportamento e suas relações com outras espécies, e "analisamos seu sangue quando chegam infectados por algum tipo de vírus".
O fato de o Gabão ser um país pequeno - com apenas 1,5 milhão de habitantes - foi decisivo para a construção lá de um centro de pesquisa com essas características.
As origens do CIRMF remontam a 1970 quando, por decisão do ex-presidente Omar Bongo Ondimba, surgiu a iniciativa de construir nas proximidades de Franceville um espaço destinado ao estudo da infertilidade no país.
Inaugurado em 1979, o centro, referência nas pesquisas médicas e científicas para toda a África Central, conta com a mais alta tecnologia nesse tipo de pesquisa.
No entanto, o CIRMF recebe também vários colaboradores internacionais em áreas tão diversas como a arqueologia, a genética e a botânica, que o transformaram em um centro internacional da biodiversidade e o estudo de doenças tropicais.
"Tentamos encontrar uma resposta às doenças, principalmente para aquelas que afetam diretamente a população africana, e nos adaptamos às mudanças que possam surgir, procurando sempre novas soluções", concluiu González.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5622683-EI8147,00-Cientistas+tentam+descobrir+origem+do+virus+da+aids+na+Africa.html
Cientistas do Centro Internacional de Pesquisas Médicas de Franceville (CIRMF, em francês), no Gabão, trabalham diariamente tentando descobrir quando e como surgiu uma das maiores pandemias do continente africano.
"O primeiro contágio em humanos ocorreu nos anos 90, mas é possível que já estivesse presente nos macacos há centenas de anos ou desde sempre", indicou François Rouet, responsável do laboratório de Retrovirologia do CIRMF.
Rouet explicou à agência EFE que uma das teorias sobre como o HIV foi transmitido dos primatas aos humanos é que estes últimos tiveram contato com algum animal que morreu por essa doença. "Por isso, uma de nossas principais tarefas é informar à população suscetível de usar esses animais como alimento dos riscos que existem, e, nesse sentido, os casos de infecção por essa via diminuíram", afirmou.
O biólogo, que trabalhou em países como Burkina Fasso e Quênia, se mostrou especialmente preocupado com os casos nos quais o vírus da aids é detectado em pacientes recém-nascidos.
"No centro fazemos exames em mulheres grávidas que têm o HIV e tentamos salvar a vida de seus filhos com um tratamento prévio, mas na maioria dos casos os bebês morrem pouco tempo depois de nascer", disse Rouet.
Ao todo, 160 pessoas, 45% delas gaboneses, fazem suas pesquisas no campus do CIRMF, que está localizado em uma planície de 47 hectares cercada de floresta.
Além dos estudos sobre a aids, o centro conta com laboratórios onde são analisadas outras doenças virais típicas da região, como o ebola e a malária, e recebe a cada ano uma média de 25 estagiários de medicina por seu interesse nesse tipo de pesquisa.
O CIRMF conta ainda com um centro de primatologia, que abriga atualmente 400 primatas, entre eles cinco gorilas e 56 chimpanzés, além de macacos e mandris, a espécie mais significativa no Gabão.
"Não fazemos experimentos com eles, isso é totalmente proibido no país há muitos anos, mas podemos curá-los se chegarem aqui doentes e tentamos reinseri-los em seu ecossistema", ressaltou Jean-Paul González, diretor-geral e cientista do CIRMF.
O especialista esclareceu que a única pesquisa realizada em macacos é de caráter antropológico, para observar seu comportamento e suas relações com outras espécies, e "analisamos seu sangue quando chegam infectados por algum tipo de vírus".
O fato de o Gabão ser um país pequeno - com apenas 1,5 milhão de habitantes - foi decisivo para a construção lá de um centro de pesquisa com essas características.
As origens do CIRMF remontam a 1970 quando, por decisão do ex-presidente Omar Bongo Ondimba, surgiu a iniciativa de construir nas proximidades de Franceville um espaço destinado ao estudo da infertilidade no país.
Inaugurado em 1979, o centro, referência nas pesquisas médicas e científicas para toda a África Central, conta com a mais alta tecnologia nesse tipo de pesquisa.
No entanto, o CIRMF recebe também vários colaboradores internacionais em áreas tão diversas como a arqueologia, a genética e a botânica, que o transformaram em um centro internacional da biodiversidade e o estudo de doenças tropicais.
"Tentamos encontrar uma resposta às doenças, principalmente para aquelas que afetam diretamente a população africana, e nos adaptamos às mudanças que possam surgir, procurando sempre novas soluções", concluiu González.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5622683-EI8147,00-Cientistas+tentam+descobrir+origem+do+virus+da+aids+na+Africa.html
sábado, 10 de dezembro de 2011
Aids mata 33 pessoas por dia no Brasil
“As mulheres de 13 a 19 anos, os jovens gays e as travestis são os mais vulneráveis”, diz Ministro da Saúde
O Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgaram nesta segunda-feira, dia 28, o novo boletim de Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).
Segundo o governo federal, em 2010, foram registradas 11.965 mortes pela doença, uma média de 32,7 (33) óbitos por dia. Em São Paulo estão concentrados 3.141 registros, ou seja, 9 mortes diárias.
Pelos números nacionais, 0,6% da população brasileira convive com o vírus HIV, o que indica que 630 mil habitantes têm o vírus. Em 2010, foram registrados 34.212 novos casos de aids, uma ligeira queda comparado aos 35.979 notificados em 2009.
"Esse boletim nos mostra que mais pessoas vivem com HIV/AIDS e há uma estabilidade de números gerais da epidemia no País”, afirmou durante o evento o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Outro ponto importante que esse boletim nos mostra é que há uma geração, que por não ter vivido o que foi enfrentamento da epidemia na década de 90, que precisa ser focada nas estratégias de prevenção. Há três grupos importantes entre os vulneráveis, as mulheres de 13 a 19 anos, os jovens gays e as travestis”, completou Padilha que fez questão de ressaltar que os “dados mostram que a aids está presente em todo o País, em todos os municípios, em todas as faixas etárias”. “A AIDS não escolhe cara ou paciente".
De mãe para filho
O Brasil reduziu em 40,7% a taxa de incidência de casos de AIDS em crianças menores de cinco anos de idade entre 1998 e 2010, passando de 5,9 para 3,5 casos por 100 mil habitantes. Essa é uma taxa considerada importante pelo Ministério da Saúde para monitorar a transmissão do vírus de mães para filhos – transmissão vertical – já que 85,8% dos casos de AIDS nessa faixa etária acontecem com esse tipo de transmissão.
Para Padilha, esse é um dado importante porque a meta brasileira é eliminar a transmissão vertical até final de 2015, o que significa ter taxa de transmissão menor do que 1%. Hoje, ela está em 3%. “A Rede Cegonha distribui 4,5 milhões de testes rápidos para postos de saúde para que sejam usados durante o pré-natal. Isso reduz o risco de transmissão, porque podemos medicar as mulheres de maneira correta”, afirma.
Mais casos no Rio Grande do Sul
A região Sul apresentou a maior taxa de incidência de casos de AIDS no Brasil em 2010. Foram registrados 28,8 casos novos a cada 100 mil habitantes. As regiões Norte e Sudeste registraram as maiores proporções de casos na sequência: 20,6 e 17,6 a cada 100 mil habitantes. Na região Centro-Oeste, a taxa de incidência ficou em 15,7 e de 12,6 no Nordeste.
A situação do Sul chamou a atenção do Ministério da Saúde. Os estados da região concentram 23% dos casos registrados em 2010, apesar de abrigarem 14,4% da população brasileira. Entre os 100 municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes, os dez primeiros são da região Sul. Porto Alegre lidera a lista, com taxa de incidência de 99,8 casos de AIDS por 100 mil habitantes.
“O que nos chamou a atenção na Região Sul e, especialmente, no Rio Grande do Sul, foi a maior proporção de casos de AIDS em relação à população do Sul do País. Além disso, o aumento de casos identificados a partir dos pequenos municípios. Essa pode ser uma fotografia do passado, porque o diagnóstico é feito dez anos após a contaminação em geral. O que pode explicar um pouco essa situação do Sul é que, há dez anos, era onde havia grande transmissão do HIV por causa do uso de drogas injetáveis”, diz Padilha.
http://www.grupoamigoscuritiba.blogspot.com/
http://saude.ig.com.br/minhasaude/aids-mata-33-pessoas-por-dia-no-brasil/n1597387026843.html
O Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgaram nesta segunda-feira, dia 28, o novo boletim de Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).
Segundo o governo federal, em 2010, foram registradas 11.965 mortes pela doença, uma média de 32,7 (33) óbitos por dia. Em São Paulo estão concentrados 3.141 registros, ou seja, 9 mortes diárias.
Pelos números nacionais, 0,6% da população brasileira convive com o vírus HIV, o que indica que 630 mil habitantes têm o vírus. Em 2010, foram registrados 34.212 novos casos de aids, uma ligeira queda comparado aos 35.979 notificados em 2009.
"Esse boletim nos mostra que mais pessoas vivem com HIV/AIDS e há uma estabilidade de números gerais da epidemia no País”, afirmou durante o evento o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Outro ponto importante que esse boletim nos mostra é que há uma geração, que por não ter vivido o que foi enfrentamento da epidemia na década de 90, que precisa ser focada nas estratégias de prevenção. Há três grupos importantes entre os vulneráveis, as mulheres de 13 a 19 anos, os jovens gays e as travestis”, completou Padilha que fez questão de ressaltar que os “dados mostram que a aids está presente em todo o País, em todos os municípios, em todas as faixas etárias”. “A AIDS não escolhe cara ou paciente".
De mãe para filho
O Brasil reduziu em 40,7% a taxa de incidência de casos de AIDS em crianças menores de cinco anos de idade entre 1998 e 2010, passando de 5,9 para 3,5 casos por 100 mil habitantes. Essa é uma taxa considerada importante pelo Ministério da Saúde para monitorar a transmissão do vírus de mães para filhos – transmissão vertical – já que 85,8% dos casos de AIDS nessa faixa etária acontecem com esse tipo de transmissão.
Para Padilha, esse é um dado importante porque a meta brasileira é eliminar a transmissão vertical até final de 2015, o que significa ter taxa de transmissão menor do que 1%. Hoje, ela está em 3%. “A Rede Cegonha distribui 4,5 milhões de testes rápidos para postos de saúde para que sejam usados durante o pré-natal. Isso reduz o risco de transmissão, porque podemos medicar as mulheres de maneira correta”, afirma.
Mais casos no Rio Grande do Sul
A região Sul apresentou a maior taxa de incidência de casos de AIDS no Brasil em 2010. Foram registrados 28,8 casos novos a cada 100 mil habitantes. As regiões Norte e Sudeste registraram as maiores proporções de casos na sequência: 20,6 e 17,6 a cada 100 mil habitantes. Na região Centro-Oeste, a taxa de incidência ficou em 15,7 e de 12,6 no Nordeste.
A situação do Sul chamou a atenção do Ministério da Saúde. Os estados da região concentram 23% dos casos registrados em 2010, apesar de abrigarem 14,4% da população brasileira. Entre os 100 municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes, os dez primeiros são da região Sul. Porto Alegre lidera a lista, com taxa de incidência de 99,8 casos de AIDS por 100 mil habitantes.
“O que nos chamou a atenção na Região Sul e, especialmente, no Rio Grande do Sul, foi a maior proporção de casos de AIDS em relação à população do Sul do País. Além disso, o aumento de casos identificados a partir dos pequenos municípios. Essa pode ser uma fotografia do passado, porque o diagnóstico é feito dez anos após a contaminação em geral. O que pode explicar um pouco essa situação do Sul é que, há dez anos, era onde havia grande transmissão do HIV por causa do uso de drogas injetáveis”, diz Padilha.
http://www.grupoamigoscuritiba.blogspot.com/
http://saude.ig.com.br/minhasaude/aids-mata-33-pessoas-por-dia-no-brasil/n1597387026843.html
Soropositivo não revela que tem HIV a parceiro ocasional
Pesquisa mostra que boa parte dos portadores do vírus não se sente à vontade de contar
Rio - O que fazer quando o teste de Aids deu positivo? Equipe da Universidade de São Paulo (USP) analisou o comportamento de homens heterossexuais e bissexuais que recebem o diagnóstico. As conclusões foram publicadas no Caderno de Saúde Pública da Fiocruz: estes pacientes se sentem mais à vontade de revelar que estão com o vírus quando têm uma parceira fixa mulher. E geralmente não conversam com parceiros ou parceiras ocasionais.
De acordo com a pesquisa, heterossexuais com parceiras fixas contam que são portadores do HIV em 92,9% dos casos. Quando a parceira é regular, o número cai para 44% e, quando é eventual, para 10%. Já entre os bissexuais, 88,2% dos que têm parceiros fixos contam aos companheiros sobre o vírus.
“O que mais mata é o preconceito. Há um estigma de que Aids está relacionada a homossexuais e, por isso, homens que têm relações com homens são mais receosos em revelar”, diz a psicóloga Vera Paiva, autora do estudo com Aluisio Segurado e Elvira Filipe.
Outro dado relevante é que os homens tendem a evitar revelar que são portadores de HIV para profissionais do sexo com quem se relacionaram. Segundo a pesquisadora, isso aumenta a contaminação. “Cinco entre cada 100 trabalhadores do sexo são soropositivos. Eles não se protegem e, assim, a epidemia circula”, explica.
Para o assessor técnico do programa de HIV e Aids do Ministério da Saúde, Oswaldo Braga, qualquer prática sexual sem preservativo é de risco. “É fundamental o uso da camisinha. Hoje, existem diversos modelos de tamanho, sensibilidade, cor e cheiro para que a pessoa se sinta confortável com o preservativo”, ensina.
Os soropositivos podem ter vida sexual ativa, desde que usem o acessório. “O importante para todos é usar camisinha com consistência, ou seja, com regularidade e de forma correta, sem o uso de lubrificantes que não sejam à base de água”, disse.
‘Você se sente como bomba’
Participantes relataram as dificuldades com os parceiros por serem portadores do vírus. Leia depoimentos:
“Ela quis fazer sexo sem camisinha. Eu disse não porque queria me prevenir de doenças. Ela disse que não tinha nada. Eu acabei com o relacionamento, não queria contar a ela que era eu quem tinha”.
“Por duas vezes, quando eu disse que era soropositivo, a pessoa não quis mais sair comigo. As pessoas acham que você é promíscuo porque tem HIV. Eu prefiro não me envolver mais para não me machucar”.
“Se a outra pessoa não se proteger, você vai para cama se sentindo quase como a bomba de Hiroshima. Não funciona”.
.
Rio - O que fazer quando o teste de Aids deu positivo? Equipe da Universidade de São Paulo (USP) analisou o comportamento de homens heterossexuais e bissexuais que recebem o diagnóstico. As conclusões foram publicadas no Caderno de Saúde Pública da Fiocruz: estes pacientes se sentem mais à vontade de revelar que estão com o vírus quando têm uma parceira fixa mulher. E geralmente não conversam com parceiros ou parceiras ocasionais.
De acordo com a pesquisa, heterossexuais com parceiras fixas contam que são portadores do HIV em 92,9% dos casos. Quando a parceira é regular, o número cai para 44% e, quando é eventual, para 10%. Já entre os bissexuais, 88,2% dos que têm parceiros fixos contam aos companheiros sobre o vírus.
“O que mais mata é o preconceito. Há um estigma de que Aids está relacionada a homossexuais e, por isso, homens que têm relações com homens são mais receosos em revelar”, diz a psicóloga Vera Paiva, autora do estudo com Aluisio Segurado e Elvira Filipe.
Outro dado relevante é que os homens tendem a evitar revelar que são portadores de HIV para profissionais do sexo com quem se relacionaram. Segundo a pesquisadora, isso aumenta a contaminação. “Cinco entre cada 100 trabalhadores do sexo são soropositivos. Eles não se protegem e, assim, a epidemia circula”, explica.
Para o assessor técnico do programa de HIV e Aids do Ministério da Saúde, Oswaldo Braga, qualquer prática sexual sem preservativo é de risco. “É fundamental o uso da camisinha. Hoje, existem diversos modelos de tamanho, sensibilidade, cor e cheiro para que a pessoa se sinta confortável com o preservativo”, ensina.
Os soropositivos podem ter vida sexual ativa, desde que usem o acessório. “O importante para todos é usar camisinha com consistência, ou seja, com regularidade e de forma correta, sem o uso de lubrificantes que não sejam à base de água”, disse.
‘Você se sente como bomba’
Participantes relataram as dificuldades com os parceiros por serem portadores do vírus. Leia depoimentos:
“Ela quis fazer sexo sem camisinha. Eu disse não porque queria me prevenir de doenças. Ela disse que não tinha nada. Eu acabei com o relacionamento, não queria contar a ela que era eu quem tinha”.
“Por duas vezes, quando eu disse que era soropositivo, a pessoa não quis mais sair comigo. As pessoas acham que você é promíscuo porque tem HIV. Eu prefiro não me envolver mais para não me machucar”.
“Se a outra pessoa não se proteger, você vai para cama se sentindo quase como a bomba de Hiroshima. Não funciona”.
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sábado, 3 de dezembro de 2011
Incidência de Aids no PR supera média nacional
A taxa de incidência de Aids no Paraná chegou a 19 casos para cada 100 mil habitantes e ultrapassou a média nacional, de 17,9. Os dados preliminares constam no Boletim Epidemiológico Aids/DST 2011, do Ministério da Saúde, divulgado ontem, em Brasília. Em 2009, a taxa paranaense ficou em 19,6, também acima do registrado no País, que foi de 18,8.
O estudo indica ainda que mais da metade dos 100 municípios com maior taxa de incidência (novos casos notificados) de Aids no País ficam na Região Sul. São 28 cidades no Rio Grande do Sul, 18 em Santa Catarina e seis no Paraná.
No Paraná, Pinhais é a cidade com a maior taxa (58,1) para cada 100 mil habitantes, e também aparece na 8 colocação do ranking nacional. Em seguida aparecem Paranaguá (17º), Curitiba (31º), Foz do Iguaçu (50º), Piraquara (68º) e Colombo (91º). No último boletim, divulgado no ano passado, o Estado tinha apenas quatro cidades entre os 100 municípios (Paranaguá, Maringá, Pinhais e Londrina).
Em 2006, com uma taxa de 16,5, foi a última vez em que o Paraná ficou abaixo da média do País (17,3). No total, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados no ano passado 1.984 casos de Aids no Paraná. Uma redução em relação aos 2.086 casos de 2009. Somente neste ano, até o mês de junho, já tinham sido notificados 937 casos. Os números de 2011 só serão fechados no próximo ano.
Conforme o Ministério da Sa© úde, em 2010, 559 pessoas morreram vítimas da Aids no Estado. O número é maior do que o registrado no boletim de 2009 (546). No Brasil foram computadas 11.965 mortes, menos casos que o ano anterior, de 12.097. Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, estima-se que 630 mil brasileiros vivem com Aids, sendo que a doença é mais comum entre os homens (0,82% da população) que entre as mulheres (0,41%). Outros dados também apontam que a prevalência (estimativas de pessoas infectadas pelo vírus HIV) se manteve estável em 2010: 0,6% da população. A incidência (novos casos notificados) teve leve redução de 18,8/100 mil habitantes em 2009, para 17,9 mil habitantes em 2010.
Apesar do Sudeste concentrar 56,4% dos casos de Aids entre 1980 e junho de 2011 (17,6 casos a cada 100 mil habitantes), a Região Sul tem a maior taxa de incidência, 28,8 casos a cada 100 mil habitantes (acúmulo de 123.069 casos em 31 anos). Os três Estados do Sul estão entre os cinco primeiros no ranking da taxa de incidência entre 1998 e 2010. O Rio Grande do Sul é o primeiro com taxa de 27,7 casos por 100 mil habitantes; Santa Catarina é terceiro com 23,5 casos; e o Paraná ocupa a quinta posição com 15,7 casos.
Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Controle de Aids e DST da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Katia Adriana Moreira, os jovens ainda deixam de se proteger. ''Isso não pode acontecer. Tem informação de sobra, ações educativas nas escolas. Enfim, todo mundo tem conhecimento dos métodos preservativos'', destacou.
O estudo indica ainda que mais da metade dos 100 municípios com maior taxa de incidência (novos casos notificados) de Aids no País ficam na Região Sul. São 28 cidades no Rio Grande do Sul, 18 em Santa Catarina e seis no Paraná.
No Paraná, Pinhais é a cidade com a maior taxa (58,1) para cada 100 mil habitantes, e também aparece na 8 colocação do ranking nacional. Em seguida aparecem Paranaguá (17º), Curitiba (31º), Foz do Iguaçu (50º), Piraquara (68º) e Colombo (91º). No último boletim, divulgado no ano passado, o Estado tinha apenas quatro cidades entre os 100 municípios (Paranaguá, Maringá, Pinhais e Londrina).
Em 2006, com uma taxa de 16,5, foi a última vez em que o Paraná ficou abaixo da média do País (17,3). No total, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados no ano passado 1.984 casos de Aids no Paraná. Uma redução em relação aos 2.086 casos de 2009. Somente neste ano, até o mês de junho, já tinham sido notificados 937 casos. Os números de 2011 só serão fechados no próximo ano.
Conforme o Ministério da Sa© úde, em 2010, 559 pessoas morreram vítimas da Aids no Estado. O número é maior do que o registrado no boletim de 2009 (546). No Brasil foram computadas 11.965 mortes, menos casos que o ano anterior, de 12.097. Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, estima-se que 630 mil brasileiros vivem com Aids, sendo que a doença é mais comum entre os homens (0,82% da população) que entre as mulheres (0,41%). Outros dados também apontam que a prevalência (estimativas de pessoas infectadas pelo vírus HIV) se manteve estável em 2010: 0,6% da população. A incidência (novos casos notificados) teve leve redução de 18,8/100 mil habitantes em 2009, para 17,9 mil habitantes em 2010.
Apesar do Sudeste concentrar 56,4% dos casos de Aids entre 1980 e junho de 2011 (17,6 casos a cada 100 mil habitantes), a Região Sul tem a maior taxa de incidência, 28,8 casos a cada 100 mil habitantes (acúmulo de 123.069 casos em 31 anos). Os três Estados do Sul estão entre os cinco primeiros no ranking da taxa de incidência entre 1998 e 2010. O Rio Grande do Sul é o primeiro com taxa de 27,7 casos por 100 mil habitantes; Santa Catarina é terceiro com 23,5 casos; e o Paraná ocupa a quinta posição com 15,7 casos.
Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Controle de Aids e DST da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Katia Adriana Moreira, os jovens ainda deixam de se proteger. ''Isso não pode acontecer. Tem informação de sobra, ações educativas nas escolas. Enfim, todo mundo tem conhecimento dos métodos preservativos'', destacou.
Composto sintético dissolve o vírus da Aids e pode servir para gel vaginal
Um composto sintético chamado PD 404.182 é capaz de dissolver as moléculas do vírus da Aids antes de ele contaminar as células sadias, segundo estudo da Universidade do Texas A&M, nos EUA, publicado na revista científica "Antimicrobial Agents and Chemotherapy", da Sociedade Americana de Microbiologia.
Com o rompimento do material genético do HIV, o ácido ribonucleico (RNA) é exposto e o vírus se torna não-infeccioso. Segundo a pesquisadora Zhilei Chen, professora assistente da universidade e responsável pelo trabalho, nesse caso específico o HIV não consegue alterar as proteínas para reforçar sua resistência – algo que até então o tem tornado difícil de tratar.
Embora essa não seja uma cura para a Aids, o PD 404.182 demonstra grande potencial para uso preventivo, especificamente na forma de gel de uso tópico, que poderia ser aplicado no canal vaginal, segundo a autora do estudo.
"Sob a forma de gel, o composto serviria como uma barreira, atuando quase que instantaneamente para destruir o vírus antes que ele possa infectar a célula, o que impediria a transmissão do HIV de uma pessoa para outra", destaca.
Surpreendentemente, Chen e a equipe não tentavam descobrir um modo de combater o HIV. Eles faziam testes moleculares para potenciais terapias medicamentosas contra o vírus da hepatite C, que pode causar uma doença fatal no fígado. Com um sistema de triagem, os pesquisadores examinaram milhares de compostos em busca daqueles que poderiam bloquear o ciclo de vida do vírus da hepatite C.
Os cientistas então testaram o PD 404.182 sobre o HIV, e o composto se mostrou ainda mais eficaz contra o vírus da Aids que contra o da hepatite C. "Acreditamos que esse composto não funcione na proteína viral do HIV, mas em alguma material celular comum a todos os vírus que nós monitoramos”, observa Chen.
Como é o caso de qualquer substância com potencial farmacêutico, vários passos ainda são necessários antes que o composto chegue às prateleiras das farmácias. É preciso fazer diversos estudos com animais e análises químicas para aprimorar a eficácia do PD 404.182. Além disso, Chen quer explorar melhor o mecanismo pelo qual o composto rompe o HIV.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/12/composto-sintetico-dissolve-o-virus-da-aids-e-pode-servir-para-gel-vaginal.html
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Com o rompimento do material genético do HIV, o ácido ribonucleico (RNA) é exposto e o vírus se torna não-infeccioso. Segundo a pesquisadora Zhilei Chen, professora assistente da universidade e responsável pelo trabalho, nesse caso específico o HIV não consegue alterar as proteínas para reforçar sua resistência – algo que até então o tem tornado difícil de tratar.
Embora essa não seja uma cura para a Aids, o PD 404.182 demonstra grande potencial para uso preventivo, especificamente na forma de gel de uso tópico, que poderia ser aplicado no canal vaginal, segundo a autora do estudo.
"Sob a forma de gel, o composto serviria como uma barreira, atuando quase que instantaneamente para destruir o vírus antes que ele possa infectar a célula, o que impediria a transmissão do HIV de uma pessoa para outra", destaca.
Surpreendentemente, Chen e a equipe não tentavam descobrir um modo de combater o HIV. Eles faziam testes moleculares para potenciais terapias medicamentosas contra o vírus da hepatite C, que pode causar uma doença fatal no fígado. Com um sistema de triagem, os pesquisadores examinaram milhares de compostos em busca daqueles que poderiam bloquear o ciclo de vida do vírus da hepatite C.
Os cientistas então testaram o PD 404.182 sobre o HIV, e o composto se mostrou ainda mais eficaz contra o vírus da Aids que contra o da hepatite C. "Acreditamos que esse composto não funcione na proteína viral do HIV, mas em alguma material celular comum a todos os vírus que nós monitoramos”, observa Chen.
Como é o caso de qualquer substância com potencial farmacêutico, vários passos ainda são necessários antes que o composto chegue às prateleiras das farmácias. É preciso fazer diversos estudos com animais e análises químicas para aprimorar a eficácia do PD 404.182. Além disso, Chen quer explorar melhor o mecanismo pelo qual o composto rompe o HIV.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/12/composto-sintetico-dissolve-o-virus-da-aids-e-pode-servir-para-gel-vaginal.html
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